31 de dezembro de 2009

Eu tenho um stalker

É oficial.
Como não lhe respondi à mensagem hoje apareceu-me à porta de casa.
Não lhe abri a porta, como é óbvio.
E não fiquem com peninha, está bem?
Eu namorei com o fuinha 3 anos. 3 anos em que o estupor se escondia por trás de uma capa de "ai, eu sou muito sensível e tenho medo de sair magoado por isso não posso assumir um compromisso sério contigo" enquanto se aproveitava dos contactos do meu pai.
Hoje acredito que era mesmo só disso que ele andava à procura e sim, eu fui muito estúpida.
2 dos quais em que eu o ajudei em tudo e mais alguma coisa, fiquei até às tantas a passar textos enfadonhos a computador, fui mais que mãe, tratei-lhe da roupinha, fui levar-lhe sopinha quente quando ele fazia noitadas. Aturei-lhe birras, amuos como a companheira compreensiva que era... e ele bem me dizia que andava sob uma grande pressão e se não eram os trabalhos eram os exames e se não eram os exames era o estágio e se não era o estágio era a apresentação.
Quando finalmente tudo acabou e o meu pai mexeu uns cordelinhos para lhe arranjar trabalho eu passei a ser dispensável.
E eu ainda aguentei mais um ano porque sou uma anta. Sou burra que nem uma porta.
3 anos a tentar ser a pessoa que ele precisava que eu fosse.
Finalmente saltou-me a tampa. Com uma coisa simples, uma coisa que não é razão para acabar uma relação de 3 anos.
Era sábado e era suposto ele vir almoçar cá a casa e não apareceu. Tentei telefonar-lhe a tarde toda e nada. Às sete aparece-me aqui a dizer que tenho de ir com ele a um jantar lá da empresa e eu (já disse, burra, anta, estúpida de todo) adiei a discussão e fui-me vestir.
Quando voltei à sala ele disse " não vais levar essa saia, pois não?".
Fim.
Todas as vezes em que ele me fez sentir que eu não prestava, que não tinha a aparência correcta, a roupa correcta, o trabalho correcto, a opinião correcta, que a única coisa realmente correcta em mim era ser filha de quem sou caíram-me em cima.
Às vezes são as coisas mais básicas que nos fazem aperceber da realidade. Eu tinha desperdiçado 3 anos da minha vida naquele homem na esperança de me tornar em alguém que ele quisesse tratar bem, que ele quisesse fazer feliz e a única coisa que consegui foi transformar-me em alguém sem respeito por si mesma, que deixa que um marmanjo qualquer lhe controlasse a vida.
Quando o mandei sair lá de casa, quando lhe disse que nunca mais o queria ver, que ele não passava de um puto mimado e que estava mais que farta de ser mãezinha dele foi um alívio tremendo.
Como é óbvio, assim que lhe dei um pontapé no cu passei a ser a mulher da vida dele e o tempo que passava a ignorar-me passa agora a perseguir-me.
Por isso não, não tenho peninha nenhuma de lhe ter fechado a porta na cara quando ele me apareceu aqui há bocadinho. E não tenho peninha nenhuma de o ter ameaçado que se não se pusesse a andar telefonava ao meu pai. E ainda menos pena tenho se ele passar a noite de ano novo sozinho e, de preferência, miserável.
Eu vou voltar a repetir... se eu aparecer num contentor do lixo cortada aos bocadinhos, já sabem quem foi!

1 comentário:

Voador disse...

Aqui que ninguém nos ouve, a menina já pensou em pedir ao papá para usar esses mesmo contactos... e mexer os cordelinhos novamente para o "descontratar"? Pois, seria muito má mesmo...